Parte II – "O Simarillion"

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“O Silmarillion”, esse livro é uma das coisas mais complexas que Tolkien escreveu, demorou quase 50 anos para ser lançado, tão complexo que seu filho Christopher precisou editar mais um livro “Contos Inacabados”, o que deixou mais fãs com a pulga atrás da orelha, apesar de “O Silmarillion” ser um livro completo em termos históricos para o mundo de Arda e os grandes heróis do passado, deixa muitas pontas soltas vez por outra. E era nessas pontas que “Contos Inacabados” entraria, mas não foi o que aconteceu, em vez de ter uma pulga atrás da orelha, conseguimos mais uma, principalmente para aqueles como eu que considera toda a obra de Tolkien um Legendarium.


Tolkien casa-se com Edith Bratt em 1916 e, logo em seguida, parte para a guerra pela segunda vez. No fim do mesmo ano, volta à Inglaterra acometido de “febre das trincheiras”. Durante a sua convalescença, começa a escrever “O Livro dos Contos Perdidos”, que mais tarde serviria de base para “O Silmarillion”.

Estava fazendo uma colcha de retalhos. Costurando manuscritos novos e antigos as sementes de um cenáro mitológico complexo, dentro do qual se encaixariam no futuro “O Hobbit” e “O Senhor do Anéis”. No entanto, a princípio Tolkien não tinha grandes pretensões ou expectativas. Estava munido de sua imensa imaginação e potencial criativo, mas ainda não tinha definido um foco para onde voltar sua atenção. Tres fatores o ajudariam a encontra-lo.

O primeiro deles foi seu gosto pela invenção de línguas. Compreendeu que para atingir um certo grau de complexidade, era necessário desenvolver uma história para essas línguas, um contexto completo onde pudessem fluir livremente. O segundo era sua necessidade de expressar seus sentimentos na forma de poesia. Nesse sentido, ainda engatinhava, mas essas primeiras incursões foram determinantes para o aprimoramento de um estilo, a prosa poética, que hoje o caracteriza. Em off: “Um dia eu chego lá!!!!”

O terceiro fator, e talvez o mais importante, era seu desejo de criar uma mitologia para a Inglaterra, sua terra natal. Seus estudos sobre a paisagem mitológica de outras culturas (escandinava, filandesa, grega, alemã e celtas) o fizeram perceber como era pobre a de seu pórprio país. Nas palavras do próprio Tolkien:

“Não ria! Mas certa vez,(já desistir disso faz tempo) tive intenção de produzir um corpo de lendas mais ou menos interligadas, que abrangesse desde o amplo e cosmogônico – o maior apoiado no menor em contato com a terra, o menor sorvendo esplendor do vasto pano de fundo – cuja dedicatória pudesse ser simplesmente: à Inglaterra; ao meu país. Deveria possuir o tom e a qualidade que eu desejava, sereno e claro, com a fragancia do nosso ar; possuiria, se eu conseguisse, a beleza graciosa e fugida que alguns chamam céltica, mas deveria, ao mesmo tempo, ser elevado, purgado e tosco, digno de uma mente mais adulta, de uma terra há muito impregnada de poesia. Eu delinearia alguns dos grandes contos na sua plenitude, e deixaria muitos apenas situados no esquema, apenas esboçados. Os ciclos deveriam ligar-se num todo majestoso e, ainda assim, deixar espaço para outras mentes e mãos, munidas de tinta, musica, drama.Absurdo”


Absurdo? Hoje sabemos que nem tanto. Tudo isso foi exatamente o que o escritor se propôs a fazer ao retornar da guerra. Isso serve para todos nós que um dia sonhamos em escrever sobre o fantástico. Tudo que se cria e se imagina para colocar no papel precisa ser considerado Absurdo, assim a historia flui da forma mais parecida que imaginamos como ficaria.

!Aviso! Se não leu “O Silmarillion, aconselho a parar de ler por aqui mesmo”

O início de “O Silmarillion” conta sobre o aparecimento das primeiras raças, num mundo de grandes proporções. Chamada de Terra-média, provocou uma certa polêmica a respeito de sua posição espacial e temporal. Ao contrario de que a maioria pensa, a Terra-média não se encontra em outro universo, mas sim no nosso próprio planeta, quando as massas continentais tinham um aspecto bem diferente. O tempo sim,é mitológico, mas segundo Tolkien “emenda” com a nossa história. Os mais atentos perceberam que algumas lendas do mundo imaginado pelo autor mesclam-se com outras de nossa civilização. A maioria, no entanto, vem do mais puro e livre exercício de criatividade. A saga das “Silmarilli”, que recheia a maior parte do livro, e o intitula, é um exemplo disso. São três jóias élficas, roubadas de Valinor pelo sinistro Morgoth. Para recuperá-las os elfos, como nação e como indivíduos (o maior e o menor), vivem muitas aventuras heróicas e guerras sangrentas.

É fácil compreender alguns problemas que Tolkien enfrentou logo a principio. Hoje em dia uma pessoa com seus objetivos seria considerada no mínimo perturbada. Naquela época o poder da religião representava uma barreira ainda mais difícil de ser superada. Como um católico devoto podia escrever com tanta convicção sobre um mundo onde Deus não é adorado? “O Silmarillion”, no entanto, não entra em contradição com o cristianismo. Para alguns até complementa-o, pois Deus está sempre presente, com seu séquito de santos, na forma dos Valar. Os nomes podem não os mesmos, nem o imagético, mas a essência está lá.

Tolkien não podia deixar suas crenças religiosas de lado pelo mesmo motivo que não podia escrever nada no qual não acreditasse. Sua obra tinha que ser de alguma forma “verdadeira”, sem, no entanto se transformar em alegoria. Uma tarefa difícil, mas que talvez explique boa parte da magia de suas histórias: a sensação que temos é de que elas realmente aconteceram, em algum lugar do passado. Em nenhum momento o escritor permite que duvidemos disso.

“O Silmarillion” é o organizado dos contos que Tolkien escreveu sobre a Terra-média, e esses contos não são mais do que maravilhosas aventuras através do desenvolvimento de um universo mitológico. A primeira história foi escrita em 1917, porém só aparece no final do livro: “A Queda de Gondolin”. Conta como Morgoth ataca a última fortificação do povo élfico, que protagoniza a saga. Os Elfos de Tolkien são criaturas bem diferentes dos homônimos encontrados nos contos-de-fada, semelhantes a duendes. Representam o ideal humano, tanto fisicamente como ideologicamente. O próprio criador define a criação: “São feitos pelo homem à sua própria imagem e semelhança; libertos, porém, das limitações que mais o oprimem. São imortais, e sua vontade é diretamente eficaz para a realização da imaginação e do desejo”.


Mais para frente, enquanto adiava seu retorno para a guerra por motivos de saúde, Tolkien escreveu a triste história de Túrin, que mais tarde foi intitulada “Os Filhos de Húrin”. Esse conto, assim como os viriam, é bastante influenciado pela tradição finlandesa e islandesa. Já o tema central de “O Silmarillion” surgiu de um passeio que Tolkien fez com sua esposa Edith, logo após o nascimento de seu primeiro filho. Estavam passando por um bosque, e ela cantava e dançava por entre as árvores e folhas secas. Tolkien transformou essa recordação na jovem élfica Lúthien Tinúviel, por quem o mortal Beren se apaixona.

A “Gesta de Beren e Lúthien” talvez seja o ápice romântico de escritor e, sem dúvida, o conto do qual mais gostava. Serviu de ancora para o desenvolvimento das mais historias das suas primeiras eras, contrabalançando as passagens mais áridas e melancólicas, que também eram reflexos da vida real. Na frança todos os homens de seu batalhão tinham morrido e Tolkien levava uma vida de andarilho doente. Edith era como uma luz em meio à tempestade, e não é para menos que hoje podemos ler “Lúthien” em sua lápide.

Em 1923, “O Livro dos Contos Perdidos”, cujo material comporia “O Silmarillion”, estava quase terminado. Tolkien já sabia que terminaria com a viagem da nave-estrela Earendel, que tinha sido sua primeira idéia quando começou a tecer seu universo mitológico. Porém, em vez de concluir o livro, começou a reescrevê-lo. Era perfeccionista ao extremo, nunca estava satisfeito a fazia dezenas de revisões. Além disso, não tinha muita pressa, pois achava que a obra era exótica demais para ser publicada. Para piorar as coisas, tinha medo de fechar o seu trabalho, amarrar todas as pontas e ficar impossibilitado de novas criações dentro daquele mundo.

Enquanto isso foi transformado em prosa os velhos poemas, fazendo nova poesia e recheando ainda mais os meandros históricos da Terra-média. Mexendo aqui, mexendo ali, revisando mais uma vez, organizando melhor; finalmente os “Os Contos Perdidos” se encontraram num todo intitulado “O Silmarillion”. Nessa época, Tolkien já estava melhor de vida. Tornou-se catedrático em Língua Inglesa da Universidade de Leeds e, mais tarde, em Anglo-Saxão, na Universidade de Oxford. Em outras palavras, a maior autoridade da Língua Inglesa da época.

Tolkien não estava vivo quando “O Silmarillion” foi publicado, em 1977, organizado pelo seu filho Christopher.

Quando faleceu, em 1973, o valor comercial do livro ainda era duvidoso, mesmo que amparado pelo sucesso de “O Hobbit” e “O Senhor dos Anéis”. Quatro anos depois, os leitores exigiam mais, e a obra passou a ser encontrada nas livrarias. Hoje em dia, “O Silmarillion” é considerado tão importante quantos os outros trabalhos do escritor, pois conta tudo o que aconteceu na Terra-média antes da Saga do Anel. Representa as bases do universo mitológico criado por Tolkien, uma verdadeira síntese do seu processo criativo. Indispensável para aqueles que, quando terminaram de ler “O Senhor dos Anéis”, ficaram curiosos por saber mais sobre os heróis do passado, sobre os nomes conjurados antes das batalhas das batalhas e sobre todo o pano de fundo da Terra-média.

Uma Nova Mitologia para o Ocidente

A visão mitológica de Tolkien arquitetou com tanta maestria em sua obra é provavelmente a mais intricada realização desse tipo na literatura moderna. Contudo, depois de mais de cinco décadas de trabalho incessante que produziram “O Hobbit”, “O Senhor dos Anéis” e as muitas versões de “O Silmarillion”, o que Tolkien tinha nas mãos era algo novo e diferente de seu propósito inicial: um legendarium (como ele próprio gostava de dizer) que integrava de forma original influencia de todas as mitologias do Ocidente, da germânica à judaico-cristã, passando pela grega. Uma nova mitologia nascia para o século XX e também para o nosso século XXI, cheia da mesma universalidade que existe em todos os mitos.

É hora de falar dos principais personagens e elementos que compõe esse majestoso cenário mitológico e das influencias de mitos e autores reais que ajudaram a inspirar Tolkien. Começamos como é lógico, pela criação do reino de Arda, a Terra.

O Ainulindalë – No principio, só havia Eru Ilúvatar (em alto-élfico, “o pai (atar) de tudo/todos), o Único – figura que corresponde exatamente ao Deus judaico-cristão da Bíblia; em suas cartas, Tolkien muitas vezes ate esquece chamá-lo pelo seu nome ficcional e diz simplesmente “Deus”. A primeira ação de Eru é gerar a partir de seu pensamento os Ainur, em quenya “os Sagrados” – criaturas espirituais de grande poder e sabedoria que Tolkien comparava aos anjos da tradição cristã. Eru, então, propõe aos Ainur temas de música, a principio cantados individualmente. Quando sente que eles alcançaram talento e harmonia naquela arte, o Criador oferece aos Ainur um tema grandioso, do qual todos deveriam participar, enriquecendo-o com seus próprios dons e pensamentos. Começa então, o Ainulindalë, a Canção dos Ainur. É aí que o Mal surge pela primeira vez, antes da própria criação do Universo. Melkor, o Ainu a quem Eru havia dado maior quantidade de dons e poderes, decide modificar o tema que Eru lhe propusera, desejando fazer da canção o que quisesse e transformar seus companheiros em meros instrumentos de seu desejo de domínio. Para compreender essa parte é bem simples: Imagine que Eru é o Maestro de uma Orquestra. Onde os Ainur são os componentes da Orquestra propriamente dita e Melkor seja o Violinista que irá fazer um solo no meio da Música. Eru regendo a Música, enquanto cada Ainur toca seu instrumento, quando chega na hora do Solo de Melkor, o que estava programado por Eru e os demais não se realiza, o solo do Violino do Ainu é outra música, uma música medonha e estranha para todos.

Mas o Criador opõe contra Melkor novos temas, que incorporam a discórdia e a confusão introduzidas pelo Ainu rebelde na música, mas ao mesmo tempo as sobrepujaram, mostrando o poder supremo de Eru. A música, então, cessa e Ilúvatar mostra aos Ainur uma visão incrível beleza, que começa se desenvolver como uma história – ou um filme – diante deles: é a Canção que eles haviam feito, agora em forma visível. Eru percebe o desejo de suas criações de que a visão se tornasse real, e pronuncia sua palavra de poder: “Eä! Que essas coisas Sejam!” Eru envia a Chama Imperecível – representação de seu próprio poder criador – para o coração do Universo que passa também a se chamar de Eä, o Mundo que É. Muitos dos Ainur, então, decidem, com a permissão de Eru, entrar no Universo e habitá-lo, passando a ter a responsabilidade de completá-lo e protegê-lo em nome do Criador. A eles é que passa a ser dado o nome de Valar, os Poderes do Mundo – como diz Tolkien, “poderes angélicos, cuja função é exercer autoridade delegada em suas esferas (de ordenação e governo, não de criação e recriação)”. Junto com eles, outros, Ainur, de menor poder e sabedoria, também descem a Eä e se tornam os Maiar (raça do Gandalf).

A principal missão dos Valar e dos Maiar é zelar por Arda, a Terra, habitação destinada a abrigar, na plenitude do tempo, os Filhos de Ilúvatar, Elfos e Homens. Por isso, eles assumiram formas semelhantes à imagem que tinham dos Eruhíni ( Quenya – Filhos de Eru), mas muito mais poderosas e majestosas; quando mais desejavam, podiam também caminhar por Arda como os espíritos que eram, sem forma material alguma.

Contudo, Melkor também entrou em Eä, e ali ele continua a procurar o domínio sobre seus irmãos, corrompendo muitos dos Maiar para seus serviços. Pouco a pouco, ele vai decaindo do antigo poder e majestade dos Valar: aprisiona a si mesmo numa forma física sinistra e tenebrosa e usa da violência da natureza – o frio das geleiras e o calor abrasante dos vulcões – para praticar o mal.

Os Poderes do Mundo – Depois de incontáveis guerras contra Melkor, os Valar decidem se estabelecer na terra de Aman, no extremo oeste de Arda, enquanto o Valar rebelde reina supremo na Terra-média, a região a leste do Grande Mar. Os Valar fundam em Aman o Reino Abençoado de Valinor, “os país dos Poderes”. Estes são os nomes dos principais Poderes e suas características, conforme foram conhecidos entre os Eldar (Altos Elfos) de Valinor:

Manwë foi designado pelo próprio Eru como seu vice-regente de Arda (VEJA MANWË), e a ele coube a missão de se opor com maior firmeza à ameaça de Melkor. Sentado em seu trono sobre a imensa Taniquetil, a maior das montanhas do mundo, o olhar de Manwë é capaz de penetrar todas as sombras e desvendar as tramas do Inimigo. Seu domínio é o ar e o vento que circula Arda, razão pela qual ele também é chamado de Súlimo, o Senhor do Alento da Terra. Espíritos incontáveis em forma de falcão e águia circumdam o trono do Rei dos Valar, e trazem a ele mensagens de todas as regiões de Arda. Ele é chamado de Rei Mais Velho de Arda e sua consorte é Varda, a Rainha das Estrelas. Coisa alguma na Terra é mais bela que a esposa de Manwë, Varda, chamada também de Elantári Tintallë (VEJA ARDA), a Inflamadora, pois a Luz de Eru antes de nascer do Mundo ainda brilha no rosto dela. E é exatamente a luz de Eä que sempre esteve sob o comando de Varda, que criou as primeiras estrelas ainda durante as eras esquecidas em que apenas os Valar e os Maiar caminhavam sobre a Terra. Quando os Poderes do Mundo souberam que os Elfos, os Primogênitos de Eru iriam despertar, Varda reiniciou seus grandes trabalhos e gerou as mais brilhantes estrelas de Eä para iluminar o caminho dos Quendi: Carnil e Luinil; Menelmacar, o Espadachim do Céu, que pronuncia a Ultima Batalha que haverá no fim dos tempos; e Valacirca, a Foice dos Valar, como um sinal de desafio contra o mal de Melkor. Por isso, todos os Elfos a reverenciam e na Terra-média, eles a invocam pelo nome de Elbereth Gilthoniel (que é a tradução Sindarin de Elentári Tintallë). Para quem lembrar: nosso amigo Frodo, chama por ela quando esteve no escuro com Laracna...

Ulmo (VEJA ULMO) é o Vala das águas e só perde em poder para o próprio Manwë. Senhor tanto das fontes que saem das profundezas da Terra quanto do vasto Belegaer Sem-Litoral, o Grande Mar, Ulmo sempre se opôs vigorosamente ao mal de Melkor, mesmo quando os Noldor de rebelaram a retornaram para a Terra-média. Através das águas, seus bons conselhos chegam tanto a Elfos quanto a Homens em qualquer lugar de Arda.

Se Manwë ama o ar e os ventos e Ulmo se deleita nas águas, Aulë ( VEJA AULË)comanda a estrutura física de Arda, as rochas, os metais e as pedras preciosas. Ele é o mestre não apenas das artes e ofícios que envolvem a habilidade manual, mas também dos idiomas da Terra-média e de Valinor. Como ele vive a Vala (Valië) Yavanna Kementári (VEJA YAVANNA).Yavanna é chamada também de Kementári, a Rainha da Terra. A esposa de Aulë tem sob sua proteção especial os animais e plantas que tiram seu sustento de Arda, e reverencia mais que qualquer outra coisa as árvores. Foi graças à sua intercessão junto a Manwë que os Ents passaram a existir, e seus ensinamentos deram origem a mais sagrada das artes entre Elfos e Homens: o cultivo da terra.

Oromë é o caçador dos Valar (VEJA OROMË), seguido por uma multidão de espíritos valentes e amantes da floresta, prontos a perseguir e exterminar todas as criaturas malévolas de Melkor. Junto com Ulmo, ele foi um dos poucos Poderes a nunca abandonar completamente a Terra-média, fazendo ouvir nas terras de Cá o sopro inconfundível de sua grande trompa, a Valróma, montado em Nahar, seu poderoso cavalo (Scadufax descende de Nahar). Vána, a Sempre-jovem (VEJA VÁNA), é a consorte de Oromë. Que faz brotar do solo flores e leva os pássaros a cantar quando caminha por Valinor.

Mandos é o nome dos qual Elfos e Homens, em geral, conhecem Námo (VEJA MANDOS), o Juiz dos Valar (meu preferido!). Ele habita nos vastos Salões de Mandos, de onde tirou seu apelido e lá reúne os fëar ou espíritos dos Quendi que sofrem a morte física. Nos Salões de Mandos, os fëar élficos passam por período de auto-conhecimento e compreensão dos erros e dores de sua vida passada para, então, retornarem a Arda com a mesma aparência e memória que tinham em sua vida anterior. Námo é também o guardião das leis imortais de Arda, e pronuncia todas as sentenças dos valar com a permissão de Manwë. Com ele Vairë (VEJA VAIRË), a Tecelã, que borda em suas tapeçarias toda a história de Arda.

Lórien é irmão de Mandos (VEJA LÓRIEN), Irmo é seu nome verdadeiro, Lórien são os vastos jardins de Valinor onde Irmo domina. Seus domínios também são a Imaginação, os Sonhos e o Repouso, e em suas alamedas de arvores e flores de Lórien, os rouxinóis cantam e até os mais atormentados podem encontrar a paz. Com ele vive Estë, a gentil.

Nienna é a Irmã dos Fëanturi, os Mestres dos Espíritos, como são apelidados Námo e Irmo (VEJA NIENNA). Ela é cheia de tristeza pelas dores de Arda, mas esse sentimento se reflete sem sabedoria e compaixão, que ela oferece aos que sofrem. Sua habitação fica no extremo oeste de Valinor, de frente para as próprias fronteiras do Mundo.


Por ultimo, entre os Valar vem Tulkas, o Forte (VEJA TULKAS), que entrou em Arda muito tempo depois do início da Criação, quando os Poderes estavam envolvidos em suas incessantes guerras contra Melkor. Com a ajuda da enorme força e resistência de Tulkas, eles venceram essa batalha, e o novo Vala se uniu a bela Nessa, Irmã de Oromë. Chamado também de Astaldo, o Valente, Tulkas corre a pé mais rápido que qualquer criatura vivente; seu cabelo é louro e sua face corada; suas armas são suas mãos. Tolkien não expõe isso em sua obra, mas vários estudiosos afirmam que Tulkas foi o único que deu uma surra federal em Melkor, usando apenas seus punhos. Eu acredito nisso, pois existe uma passagem onde Melkor corre que bate o pé na bunda quando sabe que Tulkas está vindo... ^^

O Inimigo e seus servos – Aos Valar se opõe Melkor, “Aquele se levanta em Poder”, posteriormente chamado pelos Eldar de Morgoth, “o Inimigo do Negro”. No início, ele era o mais poderoso das criaturas de Eru, mas seu desejo insaciável por mais poder e pelo domínio sobre as outras vontades de Arda fez com ele decaísse de sua alta condição, transformando-se num espírito de ódio, diante de quem caminhava sempre uma sombra de medo. Mesmo assim, durante muito tempo, ele foi capaz de ocultar essa mudança quando desejava, de maneira que muitos dos Maiar, também corrompidos, passaram a servi-lo.

Destes, o maior é sem dúvida Sauron, o Abominado, também chamado de Gorthaur, o Cruel(VEJA A VERDADEIRA FACE DE SAURON). No princípio, ele era uma Maia do povo de Aulë e quando passou a servir o Inimigo, ele corrompeu a sabedoria sutil do Vala ferreiro para os propósitos de Melkor. Quando o Exército do Oeste finalmente derrotou Morgoth, Sauron conseguiu escapar ao julgamento de Manwë e continuou a obra de destruição de seu mestre durante muito tempo na Terra-média. Foi também o povo dos Maiar que vieram os Balrogs (em alto-élfico Valaraucor, “demônios de poder”)(VEJA UM BALROG), capitães das hostes negras de Morgoth. Usando espadas de fogo e terríveis açoites, semelhantes a sombras que caminhavam envoltas em chama, eles levaram o desespero a Elfos e Homens mesmo durante a Terceira Era. O maior deles foi Gothmog, Senhor dos Balrogs.

Tentei ser o mais fiel e rápido possível em escrever a primeira (Ainulindalë) e segunda (Valaquenta) parte do “O Silmarillion”, uma das coisas que todos (meus amigos, família, leitores...) perguntam sempre está ligada a essas partes. Por isso, minha atenção foi tão especial. Acredito que muitos leitores não conheçam “O Silmarillion” e prefiro que lêem o livro do que ficar lendo essa resumo tão pequeno. Decidi que a partir daqui, minha narrativa será breve. Assim, você, leitor(a), toma vergonha e vá ler o livro!

O Quenta Silmarillon (A Historia das Silmarils) é a terceira e principal parte do Livro. Relata a Guerra entre Melkor e os Valar, o despertar dos primogênitos, os Elfos, e sua vinda para Valinor, o reino abençoado. Em seu período em Valinor os Elfos ganham conhecimento e poder, que justamente causariam sua queda, com a criação das Silmarils, três jóias que prendiam a Luz de Valinor em seu interior, por Fëanor, talvez o maior artífice dos Noldor. Sinceramente para mim, o personagem mais Fodão de todas as Obras de Tolkien.(VEJA FËANOR)

O roubo das Silmarils por Melkor e pela Medonha Aranha Ungoliant (VEJA ELES AQUI), o retorno belicoso e turbulento dos Elfos para a Terra-Média, o surgimento dos homens e todas as guerras travadas por causa das Silmarils são narradas nessa terceira parte - onde estão talvez as duas historias mais conhecidas do livro: a trágica historia de Turin e a romântica odisséia de Beren e Luthien(aliás, Tolkien disse que essa foi a primeira historia do "Livro dos Contos Perdidos"), esse conto é um conto de Amor que Tolkien fez para sua esposa Edith.BEREN E LÚTHIEN E TURIN.

O tom de certa forma enciclopédico e a forma sumária com que certas partes da historia são narradas pode assustar o leitor, que deve ter em mente que são o resumo da historia que Tolkien pretendia
contar. Tanto em "Quenta Silmarillion" quanto na parte seguinte, "Allakabeth", que narra a ascensão e queda do reino humano de Numenor, percebemos uma idéia constante por toda a narrativa: que não adianta nada os poderes adquiridos se eles foram usados com arrogância - pois essa mesma arrogância destruirá qualquer coisa em seu caminho, incluindo o portador desse poder. A obra termina com um resumo de como Sauron fez os Anéis e o que aconteceu com os personagens depois do final da Saga do Anel em Os Anéis do Poder e a Terceira Era.

O que faz “O Silmarillion” ser uma obra complexa é sua função. Era apenas para ser um grande conto histórico e épico. Mas Tolkien foi tão perfeccionista, principalmente, nessa Obra, que acabou a transformando quase com uma Bíblia para os fanáticos pela Terra-média como eu!


Com certeza, se ele tivesse tido a chance de desenvolvê-la, teria criado um épico que suplantaria até mesmo o seu próprio "O Senhor dos Anéis", que é ele próprio um tributo ao poder da imaginação humana.

UMA IMAGEM CRÉDITO!

1 Response to "Parte II – "O Simarillion""

Ana Karoline Says :
31 de dezembro de 2008 05:26

Muito bom!!!! um resuminho básico!

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